Carta aberta ao Conselho Deliberativo do Clube de Regatas Vasco da Gama


Reproduzimos aqui uma linda carta enviada por Paulo Sergio de Araujo.

Independente da sua e da nossa posição política, a carta emociona!!! Valeu Paulo!

Carta aberta ao Conselho Deliberativo do Clube de Regatas Vasco da Gama

Onde hoje existe um “posto de combustíveis”, na esquina das ruas “Almério de Moura e Teixeira Junior”, pertinho de “São Januário”, existiu a casa de meu avô paterno.
Em românticos dias distantes, nomes até hoje conhecidos da mídia, como “Bellini”, “Orlando” e “Vavá”, freqüentavam a casa de meu avô e conseguiram convencer minha mãe, para alegria de meu pai, a permitir que eu me tornasse um daqueles meninos que entravam no gramado do Maracanã (uma vez) e de São Januário (algumas vezes) junto à equipe de futebol do Clube de Regatas Vasco da Gama.
Mas eu nem tinha completado os meus cinco anos de idade e não tenho gravada em minha memória nenhuma imagem desta época. Tenho o conhecimento destes fatos, apenas porque me foram relatados por meus parentes.
Lembro sim, já na primeira metade da “década de 60” e entre meus “8 a 13” anos de idade, que passava minhas férias e fins de semana na casa de meus tios e (3) primos flamenguistas (“doentes”) que moravam na Tijuca, pertinho do Maracanã. Ali, aprendi a jogar, entender e gostar de futebol. Vivia “enfiado” em uniformes do Flamengo e meus primos sempre me levavam ao Maracanã para “torcer pelo Mengão”, no seio de sua decantada torcida.
Tenho gravado em minha memória o dia em que, durante um jogo, admirado com a competência e a elegância de um dos jogadores rubro-negros, perguntei ao meu primo mais velho: “- Quem é aquele jogador?”… Era “Carlinhos”, o “violino”; que parecia realmente um “maestro” em campo.
A quem me perguntasse, naqueles dias, eu responderia em alto e bom som, para silenciosa contrariedade de meu pai: “- Eu sou Flamengo”.
A última lembrança que tenho desta época é deste mesmo primo me perguntando um dia, já em casa depois de mais uma grande vitória do Flamengo e mais um “show” do “violino” que eu tanto admirava: “- O que houve?”… “- Nada!”, eu respondi.
Mas houve…! Houve uma importante descoberta.
A grande vitória do Flamengo sobre aquele time que vestia uma camisa branca, com uma faixa diagonal em preto e a Cruz de Cristo no peito, que eu acabara de presenciar, tinha me causado uma dor estranha… Profunda…!
Meus primos tinham “caído na asneira” de me levar para assistir a um “Flamengo x Vasco” e eu descobri o nome do clube que estava “cravado em meu coração”.
A maravilhosa história que emanava de São Januário e eu nem percebia nos meus primeiros anos de vida, tinha se alojado no corpo dos meus sentimentos e finalmente emergia.
Dali em diante, nunca mais me distanciei do clube do meu coração. Mesmo nos 10 anos em que morei na agradável Belo Horizonte, jamais deixei de acompanhar “todas as coisas do clube da colina”.
Antes de sair do Rio, acompanhei (“exultante”) um grupo de vascaínos portadores de “novas idéias e energias” se elegerem e darem novos rumos a um então “estagnado” Vasco de “Agathyrno Silva Gomes”.
E “este” é o “ponto crucial”. “Este” é o motivo desta mensagem.
Este mesmo “grupo” se “perpetuou” no poder e “perdeu o rumo”… Perdeu a capacidade de escutar o grito de sua torcida, de seu “povo” e, assim, perdeu a essência de sua própria história.
Num dia distante, um presidente do Flamengo reconheceu: “-O Flamengo é o clube da ‘massa’, mas é o Vasco o time do ‘povo’!”.
Até os nossos maiores adversários reverenciam a linda história de DEMOCRACIA e LIBERDADE do Clube de Regatas Vasco da Gama. História, esta, que tem sido maculada nesta década pela truculência e a privação da liberdade de expressão que nos foi imposta por aqueles que se colocaram acima da própria instituição, no exercício do “poder à qualquer custo”.
E o “custo”, senhores conselheiros, os “danos” à imagem e às glórias do nosso clube se retratam no afastamento dos investidores (pela falta de credibilidade), no afastamento de possíveis novos torcedores (pela falta de conquistas e pela perda da simpatia) e no afastamento dos meios de comunicação mais sérios (pela restrição à liberdade de informação).
Os “custos”, senhores conselheiros, os “resultados” da administração destes que ainda buscam de todas as formas, sem ética e dignidade, se manter no poder estão retratados nos “balanços fraudados”, nas “enormes dívidas trabalhistas” e na “evidente ausência de recursos financeiros” que possibilitassem a formação de uma única equipe compatível com nossas tradições, nos últimos anos.
Senhores conselheiros… Eleições legítimas, honestas, transparentes e tranqüilas ocorreram no dia 21 de junho de 2008. Deploráveis cenas de truculência, violência, favorecimento ilícito, “fraude” e “farsa” ocorreram sim, mas nas eleições de “2006”; os senhores bem o sabem. Por isso, a presença da justiça impondo e fiscalizando o pleito de sábado passado; onde o “grito da arquibancada”, o “grito do povo vascaíno” (e não o “daqueles sócios simpatizantes dos atuais dirigentes interinos”) foi FIELMENTE RETRATADO, DE MANEIRA TÃO EVIDENTE, NO NOME ESCOLHIDO PARA NOVO PRESIDENTE DO VASCO, POR TODOS OS DIGNOS SÓCIOS DO CLUBE QUE CUMPRIRAM COM SUA OBRIGAÇÃO MORAL E DEMONSTRARAM VERDADEIRO AMOR AO CLUBE, MANIFESTANDO O SEU PENSAMENTO E O SEU DESEJO ATRAVÉS DO DEMOCRÁTICO E SAGRADO EXERCÍCIO DO VOTO.
Senhores conselheiros… JAMAIS EM NOSSA HISTÓRIA O CONSELHO DELIBERATIVO DO CLUBE DE REGATAS VASCO DA GAMA DEIXOU DE REFERENDAR O “GRITO DAS URNAS”.
ESTA É A VERDADEIRA HISTÓRIA DO CLUBE DA COLINA, QUE PRECISA SER HONRADA.
O nosso Vasco, o nosso “povo”, a nossa sociedade como um todo ou qualquer um que tenha bons princípios, espera que mais nenhuma outra nódoa seja implantada em nossa tão bela e digna história.

Paulo Sergio de Araujo
(apenas mais um VASCAÍNO DE VERDADE)
Nova Friburgo – RJ
25 de junho de 2008

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