Dinheiro, o mal do futebol


Acabo de ler que o atacante Phillipe Coutinho, revelação das categorias de base do Vasco, já considerado um craque, acaba de ser vendido, aos 16 anos!, para a Inter de Milão. Coutinho sequer jogou no profissional, provavelmente não jogará, e já está envolvido numa transação milionária. Maldito dinheiro. Não que ele não seja bom, é ótimo. Acontece que está nos privando de ver novos craques e fazendo com que o futebol se torne cada vez mais um espetáculo meramente comercial. Custa esperar mais alguns anos, sei lá, até o jogador atingir 21 anos, ou já ter uma boa bagagem entre os profissionais? Não é possível que num clube como o Vasco, Phillipe Coutinho não possa receber um salário digno, que adie essa transferência por mais alguns anos. Os amantes do futebol iriam agradecer. Não é só no Vasco. Temos o exemplo de Alexandre Pato, que jogou pouquíssimas vezes no time profissional e também já foi embora.
Já foi época em que o garoto sonhava em ser um ídolo do seu time de coração. Sonhava em brilhar pela seleção brasileira. Hoje com 15, 16 anos não sonha mais em brilhar no Maracanã. Sonha em se transferir e jogar na Europa, nem que seja num clube lá do interior do leste europeu onde vai ficar sumido de tudo e de todos. Quantos craques em potenciais saíram e sequer jogaram no futebol brasileiro? Quem perde com isso somos nós, amantes do futebol.
Uma situação ilustra bem o quadro que se pintou em nosso futebol. O jovem meia-atacante Alex Teixeira, também do Vasco, com uma multa rescisória altíssima, a qual todo dia deve martelar na cabeça dele, já pensa na trasferência.
– Daqui a cinco anos vou pensar em sair. Não vou mais querer jogar aqui no Brasil. Vou cumprir esses cinco anos e, quando completar esses cinco anos, vou para a Europa – diz Alex.
Será que nesses cinco anos ele vai realmente jogar, ou vai apenas cumprir o contrato até a transferência? Será que ele vai ter comprometimento, ou vai ficar com medo de uma lesão e “pipocar” em alguns lances? Não que isso realmente vá acontecer, mas é uma coisa que preocupa.
Saudades do bom e velho esporte bretão, sem essa história de dinheiro ditando o ritmo do nosso futebol.

Anúncios