Carta do Eurico Miranda sobre o atual momento do Vasco


Os problemas do Vasco só podem ser resolvidos pelos vascaínos

Vascaínos,

Dediquei anos de minha vida a trabalhar pelo resgate de um Vasco que tinha se perdido no final dos anos 50. Junto com muitos companheiros, alguns que já se foram, procurei oferecer aos vascaínos a partir dos anos 70 a construção de uma unidade interna que recolocasse o nosso clube em seu devido lugar. Sempre repetia: o Vasco é locomotiva e não vagão.

Foi assim que ajudei a construir a União Vascaína que, entre 80 e 82, com Alberto Pires Ribeiro na Presidência, começou a redefinir o nosso papel no futebol brasileiro. A partir de 86, quando assumi a Vice-Presidência de Futebol, com Antonio Soares Calçada na Presidência, aceleramos o caminho de liderar o esporte. Nada poderia ser feito sem que o Vasco fosse ouvido. Foi assim que conquistamos campeonatos locais, nacionais e internacionais e em diversos esportes, em especial o futebol. E mais: foi assim que ampliamos o patrimônio e transformamos São Januário num complexo esportivo moderno e exemplar.

Todos conhecem a campanha desencadeada a partir de 2001 para destruir esse trabalho. E, mesmo ficando quase dois anos sem receber cota de televisão e num processo de asfixia financeira, mantivemos a estrutura e nunca deixamos o nosso lugar na elite do futebol brasileiro. Fomos retomando a situação e, mesmo com dificuldades, há alguns anos mantínhamos os salários em dia, de jogadores e funcionários.

Agora, o nosso clube está às vésperas do mais difícil ciclo de seus 110 anos de história. Ainda haveria tempo para reverter a situação, mas faltam vontade e competência aos atuais mandatários. Durante anos alimentaram setores da imprensa com campanhas contra tudo o que o Vasco fizesse. Articularam um golpe político em meio a disputa do Campeonato Brasileiro.

E o que se esperava de um grupo que queria tanto chegar ao Poder e que prometia fila de investidores no dia seguinte em que eu deixasse a Presidência? Que assumisse as responsabilidades que procurou durante anos. E que tivesse um compromisso com o Vasco, que entendesse a sua alma e o espírito de seus sócios, torcedores e funcionários…

O que se vê nos últimos três meses é um festival de trapalhadas, incompetência generalizada, perseguição a funcionários, desestruturação do Departamento de Futebol e um desprezo pelos vascaínos que se dedicaram ao clube nas últimas décadas.

E quando ficou evidente a falta de preparo e os erros na condução de nossos destinos, qual foi a estratégia? Tentar jogar a culpa pelo desastre de um eventual rebaixamento na antiga administração. Deixamos os salários em dia e um negócio fechado de 10 milhões de reais. E mais: dívidas negociadas que vinham sendo pagas e possibilidade de continuar a trabalhar com recebíveis, já que tínhamos acabado de renovar por mais 3 anos o contrato de televisão. Mas quem da atual direção se dispõe a dar aval a qualquer operação do Vasco?

O vascaíno sabe que as medidas tomadas desestruturaram todo o trabalho feito e vale lembrar apenas algumas ações de responsabilidade exclusiva dos atuais mandatários:

– Tirar os clássicos de São Januário fazendo coro com nossos adversários e setores da imprensa;

– Nomear um Vice-Presidente de Futebol que não tinha nenhuma competência para o cargo;

– Abandono da concentração do Vasco em São Januário, deslocando os jogadores para um hotel em Copacabana;

– Perder o poder político do Vasco ao se aliar ao Flamengo e ser amplamente derrotado no Clube dos Treze;

– Demitir profissionais do Departamento de Futebol, desde o Gerente aos responsáveis pela logística, passando pelos médicos, preparadores físicos e fisioterapeutas. Alguns profissionais tinham mais de 15 anos de experiência no Vasco;

– Perder o comando do clube permitindo 3 invasões por torcedores. Ao mesmo tempo em que os atuais dirigentes criticavam publicamente a equipe, permitiram a saída de atletas como Morais, Pablo e Jean;

– Contratar um treinador que indicou diversos jogadores que não tinham base para estar no Vasco num momento de crise;

– Ampliar a política de perseguição a funcionários demitindo profissionais com 30/40 anos de Vasco. Além disso, não pagam a indenização, o que amplia o clima de terror no clube;

– Com um elenco com mais da metade dos jogadores formados em São Januário demitiram agora todos os treinadores das divisões de base;

– Ignorar os apelos por pacificação feitos na reunião do Conselho de Beneméritos do Vasco. Em resposta, o atual Presidente classificou o encontro de “reunião de conselheiros da ex-diretoria“, desrespeitando o Poder Moderador do Clube e local onde estão sócios que dedicaram grande parte de suas vidas ao Vasco. E mais: deixaram claro que vão acelerar o processo de perseguição e não querem nenhuma aproximação que una o clube neste momento difícil.

Assim, além de manter o apelo para que os torcedores não abandonem o Vasco, pedimos que sócios e conselheiros estejam unidos para evitar que nesta situação os atuais mandatários apresentem propostas que atentem contra os nossos 110 anos de histórias. E que rezem para que tenham consciência, pelo menos uma vez, de que os problemas do Vasco só podem ser resolvidos pelos vascaínos.

Saudações Vascaínas,
Eurico Miranda

Fonte: Casaca

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