Vasco 0 x 4 Bahia, pelo Brasileiro 2012: A divisão de responsabilidades e o fim de um sonho acordado


Vasco 0 x 4 Bahia, dia 09 de setembro de 2012. Este resultado válido pelo Brasileirão 2012, e o dia seguinte fizeram o Vasco acordar de um longo sonho acordado, de mais de um ano de indefinições.

Enquanto dormia alternava sonhos bons e pesadelos. Sonho, como a conquista da Copa do Brasil, sonho como ver o time profissional se fechar, após o AVC de Ricardo Gomes, e lutar pelo Brasileirão 2011 e pela Copa Sul-Americana, competindo em alto nível, sob o comando de Cristóvão Borges, demonstrando um Futebol dentre os melhores da América do Sul. Pesadelo da eliminação no Carioca, e depois, da Copa Libertadores, isto sem falar na saída do Diretor Executivo Rodrigo Caetano, de forma inexplicável, para trabalhar no Fluminense. Para seu lugar veio uma reposição calcada em “solução tampão” caseira: Daniel Freitas, um profissional de Logística, adequado para fazer o Operacional veio a assumir função de Executivo de Futebol, no que não é sua especialização.

Enquanto Ricardo Gomes lutava para recuperar sua qualidade de vida e fazia promessas de voltar ao Futebol, Cristóvão Borges seguia como Técnico interino. Cessada a ilusão do retorno de Ricardo, a Diretoria entendeu por efetivar Cristóvão, e no embalo do padrão tático do ano anterior adentramos no Brasileirão 2012 e nos sustentamos no G4 até agora.

Veio a janela de transferências e com ela, a falta de recursos financeiros e a impotência diante dos empresários dos melhores jogadores de nosso plantel. Eles negociaram em agosto, na janela internacional do início de temporada européia, a espinha dorsal do nosso time, e a Diretoria nada pôde fazer, até porque, com patrocínio master engessado por certidões impossíveis de serem obtidas, não houve recursos para renovar contratos como o de Fágner.

Mas o problema não se resumiu às perdas. Não! As contratações feitas para repor as saídas foram muito abaixo do nível necessário e aquem do exigido para Vasco da Gama, salvo Wendel e Tenorio (que veio em janeiro, mas voltando de lesão só agora). Deixamos escapar uma boa oportunidade de trazer de volta o nosso goleiro campeão de 2000. Helton renovou por dois anos com o Porto. Prass segue sem sombra, sem ser ameaçado, falhando, mas titular absoluto.

Tudo o que dissemos acima aponta para uma total falta de planejamento e de preparação da Diretoria, para a segunda etapa da temporada, inaugurada após o fechamento da temporada de contratações internacionais. Vimos nosso elenco perder 9 jogadores ao longo desse período e com isso perder aquele padrão competitivo que nos rendeu a posição que ainda ocupamos na Tabela.

Cristóvão, em meio a seus erros de escalações, insistências equivocadas e mudanças táticas, dentro de um elenco modificado, não concedendo oportunidade para alguns jogadores e demorando a mudar o time nas partidas, teve aí a sua cota de responsabilidade pelas recentes derrotas.
Mas aí vieram também os erros de arbitragem, e neste ponto, mais uma vez entendo que faltou à Diretoria agir no sentido de barrar determinados árbitros, numa demonstração de aparente impossibilidade para fazê-lo.

No domingo passado, jogo contra o Bahia, o conjunto de erros da Diretoria e de Cristóvão culminou numa sonora goleada por 4 x 0, com o Vasco jogando com um time mal escalado e irreconhecível! Ora, se não dava para vencer, dados tantos desfalques num elenco desmantelado, que pelo menos segurasse um empate, com fez contra o Náutico, afinal estávamos em nossa Casa, São Januário.

Pedimos à Diretoria mais ações preventivas, mais velocidade na tomada de decisões e planejamento, no que se traduz na contratação de um Executivo de Futebol.

Mauro Galvão chegou para gerir as categorias de base. Sobre sua reputação e História e tudo o que fez pelo Vasco não se discute. Foi um exemplar profissional, mas está capacitado para o cargo? Não sabemos. É uma aposta. Fato é que as Categorias de Base do Gigante da Colina não podem continuar como estão! Que esta não tenha sido outra decisão tomada pelo critério do reconhecimento pelo passado, ou por amizade. O Vasco precisa ser pensado e planejado com critérios técnicos, e com profissionalismo digna de uma gestão empresarial. Se assim não for, continuaremos a gerir e compor crises, e isso não nos levará a novas conquistas.

O blog IV, por seus editores, e sua equipe, fica na torcida pelo sucesso de nosso time, e que caso não venha título, que se consiga a segunda meta de classificar para a Copa Libertadores de 2013. Mas sobretudo, que as vitórias retornem, porque é com elas que queremos conviver de agora em diante.

Todos apoiando nosso time hoje, e nos próximos jogos, e que o novo Técnico Marcelo Oliveira (que foi anunciado na tarde de hoje, dia 12/09/2012) nos traga um novo padrão tático, motivação, dê oportunidade a todos os jogadores, e cobre de quem ter de ser cobrado por uma postura de jogador de futebol profissional do CRVG.

Ao Cristóvão Borges, uma pessoa de extremo caráter, sincero, educado e sereno, desejamos sucesso, e que consiga seguir em frente. Tomou a decisão certa pensando em si e no Vasco, também, o que só reforça nosso respeito e consideração.

Abaixo seguem links para Colunas as quais concordamos integralmente e que recomendamos a leitura:

http://sportv.globo.com/platb/jogos-que-eu-vi/2012/09/10/decalogo-da-colina/

http://www.sidneyrezende.com/noticia/185203+cristovao+caiu

Marcus Simonini
Editor do Blog Incondicionalmente Vasco!

VASCO 0 X 4 BAHIA – ANÁLISE DO JOGO – de 10/09/2012 – Antes do pedido de demissão do Cristóvão Borges
Por Leandro Monteiro, Colaborador do Blog Incondicionalmente Vasco!

23º RODADA – BRASILEIRO
VASCO X BAHIA – 09/09/2012

Pra esquecer…

Foi o pior jogo do Vasco no período de 1 ano.O time não se encontrou em campo, os erros dos jogos passados, dessa vez, foram ainda mais agravados pela péssima disposição tática em campo. Faltou tudo, não tinhamos uma saída de bola rápida, o passe era ruim, faltou inteligência no meio campo e as laterais praticamente nulas (a esquerda por um motivo óbvio) e a direita, com Jonas, que em mais uma partida foi muito burocrático e para piorar conseguiu ser expulso.

Tivemos um primeiro tempo ruim, porém, por alguns minutos, ainda vimos o Vasco com a feição de um time de futebol. Apesar do Bahia se apresentar mais consciente durante os primeiros 45 minutos, o Vasco, ainda assim, conseguiu chegar ao ataque com certa organização, e conseguiu, pelo menos, incomodar o adversário em algumas poucas jogadas de lucidez do time. O jogo se desenhava assim, um Vasco sem brilho, que mesmo dentro de casa não apresentava um futebol convincente, e tampouco, dava sinais a torcida de que poderia deslanchar na partida. Esse panorama se estendeu até os 41 minutos do primeiro tempo, quando após uma investida pelo lado direito, que resultou em escanteio para o Vasco, Juninho faz a cobrança, o atacante Souza afasta de cabeça e tem início ali uma jogada de contra ataque rápido do Bahia (muito mais pela lentidão da recomposição defensiva do Vasco do que propriamente pela velocidade do adversário), numa subida inteligente e de poucos toques a defesa do Vasco foi facilmente envolvida, a bola foi cruzada na área vascaína encontrando o atacante Souza, que de cabeça, e livre de marcação, abre o placar para o time baiano.

No intervalo, Cristóvão faz uma alteração, e coloca Tenório no lugar de John Cley. A idéia era abrir Tenório pelo lado esquerdo e aproveitar suas jogadas em velocidade, assim como, Éder Luiz pela direita ecom Alecsandromais centralizado. A tentativa pouco surtiu efeito, poiso que estava ruim no primeiro tempo ,piorou ainda mais no segundo. O Vasco tentou esboçar uma reação nos minutos iniciais da etapa final e deixousua torcida empolgada após uma boa arrancada de Tenóriopelo lado esquerdo que perdeu a passada e não conseguiu dar finalização a jogada.Mas a reação ficou por aí. O Bahia, logo no primeiro contra ataque , não teve dificuldades para conseguir seu segundo gol, numa boa trama pelo lado esquerdo , a bola é cruzada na área, Jones Carioca, aproveita a bola mau cortada pela zaga para ampliar o placar.

A partir daí o Vasco se descontrolou (sentiu a cobrança da torcida), se desarrumou em campo e nada que tentava dava certo. O Bahia, bem arrumado, não permitiu ao Vasco conseguir melhores jogadas, Tenório ficou jogado pelo lado esquerdo, sem conseguir sequer ser acionado, Juninho não conseguia articular as jogadas, as laterais nulas (não havia jogada de ultrapassagem), e além disso, o time perdeu o meio campo. Bem, o Bahia sobrava em campo, administrava bem a bola, jogava com inteligência e chegava com perigo em praticamente todas as jogadas de ataque tendo em vista a fraca marcação e o péssimo senso de posicionamento da nossa zaga (como já havia acontecido em Recife, contra o Náutico). Nisso, o carnaval baiano foi completo e desfilava como queria em São Januário, Jones Carioca, em uma bola enfiada atrás da linha da defesa (mau posicionada por sinal) invade a área, dribla Fernando Prass e faz o terceiro gol. Era o fim da partida para o Vasco. O Bahia, tanto sobrava em campo, que em poucos minutos faz o seu quarto gol, após novo cruzamento na área do Vasco, Souza recebe livre e sacramenta a goleada. Uma vergonha, que para nossa sorte ficou barato, o Bahia baixou oritmo e administrou a partida até o seu final. 4 a 0. Uma derrota que doeu na alma da torcida, uma derrota pra esquecer.

A coisa se complica a cada rodada. Cristóvão, com toda a certeza não é o maior culpado desse fracasso. Faz parte do contexto, mas não podemos atribuir a ele toda a responsabilidade por esse momento É preciso lembrar que o grupo foi desmantelado e não teve a recomposição de jogadores dignos de vestir a camisa do Vasco. Sabemos que Cristóvão não figura dentre os técnicos que queríamos para o Vasco, foi um paliativo para a saída do Ricardo Gomes, que pela atual política do clube de “bom, bonito e barato” foi ficando. A verdade mesmo é que algo precisa ser feito de imediato, a diretoria errou feio, não trouxe jogadores a altura e se esconde cada vez mais atrás de desculpas de que “não tem dinheiro”. As cobranças ficarão insustentáveis com novas derrotas nas próximas rodadas, Cristóvão parece começar a sofrer com um racha no grupo. Felipe pediu dispensa do jogo e foi jogar FutVôlei na praia da Barra (não estava com problema no joelho?). Bem, a diretoria, a maior culpada nessa história precisa contornar esse problema, se houver contestação no elenco, precisa resolver isso da melhor forma. Enquanto isso, quem sofre é a torcida, que vê frustrado mais um sonho de título, por atitudes amadoras de uma Diretoria que há tempos vem caindo nos mesmos erros e insiste em não aprender.

AO VASCO TUDO! INCONDICIONALMENTE!!!

EM TEMPO! Em carta ao Presidente Roberto Dinamite, o Vice-Presidente de Futebol, José Hamilton Mandarino, deixa o cargo, no dia de hoje, 12/09/2012.
Fonte: http://www.netvasco.com.br/n/116120/mandarino-deixa-a-vice-presidencia-de-futebol-do-vasco