O FIM DA ERA CRISTÓVÃO, UM NOVO TEMPO NA COLINA!


Por Leandro Monteiro, Sócio do CRVG e Colaborador do Blog IV!
Edição da matéria: Marcus Simonini

O pedido de demissão do técnico Cristóvão Borges veio em boa hora. Era preciso mudar, tendo em vista o fraco futebol apresentado e a aparente falta de confiança do grupo. O técnico perdeu o fator motivacional da equipe, que entre escalações ruins e substituições incompreensíveis, foi se perdendo.
Cristóvão, nesse período de pouco mais de 1 ano nunca foi para sua torcida o técnico ideal. Longe disso. Apesar dos bons resultados conseguidos após o AVC de Ricardo Gomes (quando assumiu o comando do time), era notório que o treinador vascaíno apenas dava sequência ao trabalho já montado pelo seu antecessor. Adotava as mesmas substituições e mesmo padrão de jogo, como também não poderia ser diferente, até pelo pouco tempo no comando e por estar em meio a um campeonato tão disputado como o Brasileirão. Ficamos então com o vice campeonato brasileiro, e grande parte da torcida jogou na sua conta a total culpa pela perda do título, o que discordo, pois o próprio time vacilou feio em2 jogos relativamente fáceis em São Januário. Foram 2 empates contra Figueirense e São Paulo, que nos custaram 4 pontos a menos na tabela, e fatalmente nos dariam o título. O primeiro vacilo contra o Figueirense, por falta de atenção ao time em administrar a vitória , já o segundo, pela incompetência em não conseguir vencer um São Paulo desfalcado, dentro de casa (e que não andava tão bem das pernas assim). Ao mesmo tempo, fomos muito bem na Copa Sul-Americana, e caímos diante de um adversário altamente qualificado, a La U, e que foi nada menos do que o campeão da competição (e com sobras).

Em 2012, Cristóvão começou bem o campeonato carioca, mas não terminou da mesma maneira. Com 2 derrotas maiúsculas, diante do Fluminense (Taça GB) e Botafogo (Taça Rio), ambas por 3 x 1 , o despreparo perante aos jogos importantes ficou evidente. Tomamos um nó tático nas duas decisões. O Vasco foi envolvido pelos seus rivais e o treinador não mostrou ter alternativas de jogo (mudança tática) e tampouco substituições que pudessem reverter o quadro da partida. A partir daí seu trabalho foi altamente criticado pela torcida, e com toda razão. Ainda sim , dentre escalações e substituições questionáveis, fomos muito bem na Copa Libertadores e caímos diante do Corinthians, fazendo 2 jogos de igual para igual, aonde fomos eliminados por um detalhe, no gol “perdido” por Diego Souza, que nos tirou o sonho do Tri-campeonato da América (vencemos em 48 e 98).

Veio então o Brasileiro, e os questionamentos quanto a qualidade do treinador continuaram. Com a saída de 4 jogadores importantíssimos para o time (Allan, Fagner, Rômulo e Diego Souza) e a não reposição de jogadores a altura pela diretoria (na sua maioria), o Vasco mostrou queda de rendimento e falta de opções no banco de reservas. Fomos relativamente bem, até a partida contra o Atlético Mineiro, e partir desse jogo não nos encontramos mais. Cristóvão não conseguiu dar ao time o padrão que tinha no início da temporada. O Vasco, desde então, jogou 9 partidas, disputou 27 pontos e somou apenas 8. A cobrança da torcida (que já não apoiava o treinador mesmo nas vitórias) ficou ainda maior. Cristóvão reconheceu o seu mau momento, e pediu demissão. Ainda bem. Apesar do rendimento abaixo da média, ainda estamos numa posição privilegiada na tabela, temos todas as chances de nos recuperar e brigar, a princípio, por uma vaga na Copa Libertadores 2013. É bom deixar claro que Cristóvão não foi esse técnico horroroso, como foi rotulado pela torcida, teve erros e acertos comuns à maioria dos técnicos que vemos por aí, mas a falta de alternativas de jogo e sua inexperiência pesou contra o seu trabalho, principalmente nos jogos decisivos. Que Cristóvão tenha sorte na sua caminhada, pois ainda tem um futuro muito promissor pela frente.

No primeiro jogo pós Era Cristóvão (e ainda sem o treinador Marcelo Oliveira no comando), o Vasco jogou o suficiente para vencer o Palmeiras. O time começou mostrando vontade, e teve logo nos primeiros 10 minutos, duas boas jogadas com o atacante Tenório, uma delas com um chute forte para dentro da área, buscando a finalização de algum companheiro, e outra, que resultou na finalização de John Clay, por cima da meta palmeirense.
Depois disso o Palmeiras foi equilibrando a partida, o jogo ficou disputado no meio campo sem os 2 ataques conseguirem levar perigo às defesas adversárias, até que, num cruzamento de Valdívia, Tiago Real cabeceia (se antecipando a zaga vascaína), Fernando Prass dá o rebote, Dedé falha no corte, e o atacante Luan, que nada tem a ver com isso, abre o placar para o Verdão.

Após sofrer o gol, o Vasco procurou tomar as ações do jogo, e por sorte, não demorou muito a conseguir o empate. Com bola alçada na área por Wendel, Alecsandro ajeita de cabeça para Tenório, que dentro da pequena área finaliza, para empatar a partida (evitando assim o trauma de ficar atrás do placar e ter que buscar o resultado debaixo da ira da torcida). Durante o restante do primeiro tempo, não tivemos mais grandes oportunidades de gol e o jogo terminou parcialmente com o empate.

No início do segundo tempo , o Palmeiras começou bem, e quase abriu o placar. Numa jogada de contra-ataque, Luan é lançado, invade a área e Fernando Prass salva o Vasco em excelente defesa. Depois do susto, o Vasco se acertou, buscava o segundo gol, mas era pouco efetivo no ataque, e não criava jogadas em condições de finalizar, até que, numa falta na intermediária, Juninho cobra com perfeição, coloca a bola na área e Nilton cabeceia (mesmo de costas), para fazer o segundo gol do Vasco. O gol deu a tranquilidade que o time precisava. Gaúcho, o técnico interino, substitui e coloca o meia Felipe no lugar de John Clay. Estava claro que o Vasco jogaria mais atrás, cadenciando o jogo, e esperando o desespero do Palmeiras (que se despencaria ao ataque pela necessidade de vencer) para finalizar a partida numa jogada de contra-ataque. E assim foi. Em mas uma boa jogada de Tenório, que deixou Juninho na cara do gol, e livre para finalizar, o Vasco faz seu terceiro gol, e dá fim as pretensões do Palmeiras, que se entrega na partida e assiste ao final do jogo, já pensando no clássico de domingo (parada indigesta contra o Corinthians).

Ao Vasco, a vitória valeu muito. Valeu pelos 3 pontos, pela tranquilidade que trará ao técnico Marcelo Oliveira (para que possa começar seu trabalho com menos pressão da torcida), pela confiança que traz ao grupo e também pela manutenção do G4 nesta rodada.

É momento de acreditarmos num novo tempo. Marcelo Oliveira, dentre os nomes disponíveis no mercado, e a realidade financeira do clube, foi a melhor opção. Vamos torcer para que faça um excelente trabalho, e tenhamos um novo tempo na Colina: de paz, vitórias, e conquistas. Um tempo condizente com a grandeza do nosso Vasco.

AO VASCO TUDO! INCONDICIONALMENTE!!!