Sobre o recém implantado processo de profissionalização da Administração do Vasco, diante dos Poderes do Clube


São Januário

Coluna De Prima
por Marcelo Damato em 12.mar.2013 às 7:16h

Vasco

A diretoria do Vasco promete trabalhar nas contas de 2012 junto com as de 2013, para reorganizar a contabilidade. Na semana passada, o diretor Cristiano Koelher não deu ao Conselho Fiscal prazos para entregar as contas, mas o balanço de 2012 precisa ser enviado logo, pois a Lei Pelé exige que os balanços sejam aprovados e publicados até fim de abril.

DE LETRA

“A contratação dos profissionais me deixa mais esperançoso que a administração do Vasco vai melhorar. Os diretores estão trabalhando o tempo todo, inclusive fim de semana”

Hélio Donin, presidente do Conselho Fiscal do Vasco.

FONTE: http://blogs.lancenet.com.br/deprima/2013/03/12/maracana-pode-fechar-de-novo-apos-copa-13/

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O Blog Incondicionalmente Vasco apoia e vê como positivas para o CRVG as medidas que vêem sendo adotadas pelo CEO Cristiano Koehler. Não obstante, cremos que mesmo dirigentes profissionais precisam ouvir os sócios e ter um bom relacionamento com as vice-Presidências, tanto quanto com os membros do Conselho Deliberativo e demais Poderes do CRVG, como o Conselho Fiscal, por exemplo; e agir em sintonia com cada um dos Poderes citados. Mas, por hora, pensamos que Koehler está tomando medidas emergências para tornar o Vasco novamente administrável, o que é absolutamente necessário. É como se fosse uma espécie de intervenção, com medidas emergenciais de choque de gestão. Vamos ver depois, com a Nau de novo sob controle, qual será a postura dos profissionais contratados.

Há cerca de um mês C. Koehler agendou e recebeu um membro do Movimento em prol da Revitalização do Entorno de São Januário para troca de informações sobre o Projeto Arena São Januário. A conversa foi positiva e a esperança de termos um novo Estádio, padrão FIFA permanece viva. Está em curso a obra do Morar Carioca que vai revitalizar o entorno de São Januário. Confira em : http://www.webvasco.com/social/leia-no-webvasco/colunas/marcelo-paiva/384-a-hora-da-revitalizacao-do-entorno-e-da-construcao-da-nova-arena-chegou.html

O Blog Incondicionalmente Vasco, ao deparar-se com as notícias publicadas na Coluna de Prima/Lancenet, indagou ao Ex-Presidente do Conselho Fiscal, Hércules Figueiredo, sobre a notícia acima estampada e seus efeitos práticos. Confiram o que ele nos disse:

COMENTÁRIOS do Ex-Presidente do Conselho Fiscal do CRVG, Hércules Figueiredo:
I). O QUE DIZ O ESTATUTO DO C. R. VASCO DA GAMA

Art. 76 – O Conselho Deliberativo será, convocado pelo seu Presidente e reunir-se-á; a)ordinariamente, na segunda quinzena de dezembro, de todos os anos para conhecer, discutir e votar a proposta orçamentária anual apresentada pela Presidência do Clube, com a discriminação da receita e despesa, prevista para todos os Departamentos, e na primeira quinzena de janeiro, todos os anos, para tomar as contas e julgar o relatório do Presidente do Clube com os anexos referentes aos vários Departamentos e o Parecer do Conselho Fiscal e de 3 (três) em 3 (três) anos; na primeira semana da segunda quinzena do mês de janeiro, para eleger, entre os seus membros, a Mesa Diretora composta de Presidente, Vice-Presidente e 1º e 2º Secretários e eleger o Presidente e o 1º e 2º Vice-Presidentes do Clube e os membros do Conselho Fiscal, composto de 3 (três) efetivos e 3 (três) suplentes; b) extraordinariamente, quando o seu Presidente o julgar necessária ou por solicitação do Presidente de qualquer dos Poderes do Clube ou grupo de conselheiros representando 1/4 (um quarto), pelo menos dos membros que compuseram este Conselho.

II). O QUE DIZ A LEI Nº 10.672, DE 15 DE MAIO DE 2003
[Altera dispositivos da Lei (Pelé) nº 9.615, de 24 de março de 1998, e dá outras providências].

Art. 46-A -As ligas desportivas, as entidades de administração de desporto e as de prática desportiva envolvidas em qualquer competição de atletas profissionais, independentemente da forma jurídica adotada, ficam obrigadas a:

I – elaborar e publicar, até o último dia útil do mês de abril, suas demonstrações financeiras na forma definida pela Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, após terem sido auditadas por auditores independentes;

II – apresentar suas contas juntamente com os relatórios da auditoria de que trata o inciso I ao Conselho Nacional do Esporte – CNE, sempre que forem beneficiárias de recursos públicos, na forma do regulamento.

§ 1º Sem prejuízo da aplicação das penalidades previstas na legislação tributária, trabalhista, previdenciária, cambial, e das conseqüentes responsabilidades civil e penal, a infringência a este artigo implicará:

I – para as entidades de administração do desporto e ligas desportivas, a inelegibilidade, por dez anos, de seus dirigentes para o desempenho de cargos ou funções eletivas ou de livre nomeação, em quaisquer das entidades ou órgãos referidos no parágrafo único do art. 13 desta Lei;

II – para as entidades de prática desportiva, a inelegibilidade, por cinco anos, de seus dirigentes para cargos ou funções eletivas ou de livre nomeação em qualquer entidade ou empresa direta ou indiretamente vinculada às competições profissionais da respectiva modalidade desportiva.

§ 2º As entidades que violarem o disposto neste artigo ficam ainda sujeitas:

I – ao afastamento de seus dirigentes; e

II – à nulidade de todos os atos praticados por seus dirigentes em nome da entidade após a prática da infração.

§ 3º Os dirigentes de que trata o § 2º serão sempre:

I – o presidente da entidade, ou aquele que lhe faça as vezes; e

II – o dirigente que praticou a infração ainda que por omissão.

§ 4º (VETADO) (NR)

CONCLUSÃO NA OPINIÃO DE HÉRCULES FIGUEIROD, EX-PRESIDENTE DO CONSELHO FISCAL DO PRIMEIRO MANDATO DE ROBERTO DINAMITE: Considerando que o Conselho Fiscal não terá tempo hábil para examinar todas as contas referentes ao exercício de 2012, mais uma vez as contas do C. R. Vasco da Gama serão publicadas antes de serem examinadas pelos Poderes do Clube, num total desrespeito aos Conselhos Fiscal e Deliberativo.

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Futebol negócio $$$

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OPINIÃO: COLUNA DO EX-VICE-PRESIDENTE DE MARKETING, EDUARDO MACHADO

SOBRE O ATUAL MOMENTO DO FUTEBOL – TEXTO PARA REFLEXÃO

Quero esclarecer desde já que a base desse texto estava escrita desde 05/março/2013 e objetiva apresentar reflexões para o segmento de mercado futebol. Vamos lá:

Tenho apenas um conhecimento um pouco mais que básico do jogo de xadrez, nem é minha intenção analisar o jogo, mas sim traçar um paralelo entre a complexidade do xadrez e do futebol. A semelhança está basicamente no número de peças que compõe cada “time” digamos assim, no “comando em campo” com a movimentação dos “jogadores” e em um paralelo relacionado à estratégia pré-jogo e as inúmeras possibilidades que apresentam-se a cada movimento evolutivo da partida. Fora de “campo”, inúmeras outras peças existem e tem importância fundamental, pois são orientadoras e definidoras do modelo em que os jogos e torneios são realizados.

Então qual seria a base de sustentação estratégica de tudo isso? Sim: os fãs!!!! Ou como no futebol brasileiro chamamos: a torcida!!!! E onde seria o palco maior de contemplação da torcida: sim, os estádios!!!! E o que essa torcida quer? Sim, motivo para vibrar, torcer, roer as unhas, fazer “uhhhhh” em um ataque de quase gol, e óbvio soltar o grito da garganta nos momentos de gols e acima de tudo nas vitórias e conquistas de torneios. Essa é a essência que une os torcedores, independentemente de suas capacidades financeiras, de seus credos, religiões, gostos musicais, etc…. Todo ali estão da maneira mais democrática possível, eu diria até que está mais para uma social democracia inclusive, em uma dinâmica merecedora de mais estudos científicos relacionados ao comportamento humano.

Mas além da torcida, temos outros agentes fundamentais, jogadores, comissão técnica, diretorias administrativas, imprensa e transmissoras de TV/rádio, patrocinadores, árbitros, federações, confederação, tribunais desportivos, tribunais de justiça e clubes como um todo (funcionários, empresas contratadas, lojas oficiais, lojas credenciadas, plano de sócios, etc….).

Mas o ponto principal que quero deixar claro nessa proposta de reflexão para os leitores é que o mais importante sem dúvida é a TORCIDA!!!! Sem ela não há essa paixão inexplicável, não há geração de recursos cada vez maiores, não há audiência, ou seja, simplesmente o futebol tem o seu diferencial no mundo devido ao número de “fãs/torcedores” e o que estão dispostos a fazer pela paixão que os movem (ida aos estádios, compras de pacotes de TV à cabo, de produtos aos milhares, de serem sócios, etc….).
Até aí tudo bem, mas temos aqui um ponto dissonante. Querem a torcida onde? No estádio? Claro que não pode ser. Pois estão fazendo de tudo para que a torcida não vá. É aí que ninguém consegue resolver. Ingressos cada vez mais caros (fora o abuso com as meias-entradas, gratuidades e cortesias), acessos e estacionamentos insuficientes ou precários (exemplo: até o moderno estádio do engenhão tem um estacionamento insuficiente, mas quem entra no estádio para estacionar, pasmem, tem que sair de novo para entrar novamente no estádio. Se tem alguém que acha isso lógico que por favor contra-argumente, entrar no estacionamento – sair do estacionamento – entrar no estádio – sair do estádio – entrar no estacionamento –sair do estacionamento, ou seja, 6 “movimentos” que poderiam ser resumidos a 2, isso multiplicado por milhares de torcedores). Outra coisa é a desumanidade que é colocar um jogo no engenhão ou em São Januário, ou no estádio do Bangu, ou em Madureira, pode escolher qualquer um às 16h no verão carioca. Vou me ater ao engenhão novamente por ser um estádio novo e moderno. A ala leste é um forno microondas. As pessoas passam mal uma atrás da outra. E ainda tem que pagar para isso? Não é racional!!!! Uma pessoa ao decidir ir a qualquer jogo no Rio de Janeiro, em qualquer estádio, em qualquer horário (com agravamento pelo calor das 16h), tem que se preparar para uma aventura de deixar qualquer empresa de “esportes de aventura com água na boca”. Tanto que hoje os torcedores se vangloriam de ter ido ao estádio. As pessoas que não tem esse hábito, os chamam de malucos, pois os riscos e desconfortos são desumanos. E mais, paga-se para isso!!!! Nas finais, o dobro do valor no mínimo, e aí aqueles frequentadores assíduos (quem ralou em um torneio falido que hoje todos são para a maioria dos clubes) ou torcedores de finais, são punidos com ingressos majorados. Ué? Mas não dizem que bilheteria não faz nem cócegas nas finanças dos clubes! Que a bilheteria não é a solução! Então qual a lógica dessa majoração????

Agora um outro ponto de reflexão que considero fundamental. Os artistas do espetáculo!!!! Já não são mais simplesmente os jogadores, houve uma expansão do que chamam de “artistas do espetáculo”. Além dos jogadores (titulares ou reservas, até mesmo juniores recém lançados já são ídolos), temos técnicos, comissão técnica ampliada, diretores profissionais, e executivos da bola. Todos recebendo salários astronômicos se compararmos mundialmente com empresas dos mesmos portes em termos de faturamento e tempo de mercado. Todos com tempos em horários de todos os tipos nos noticiários impressos e eletrônicos (manhã, tarde e noite), com oportunidades para falarem durantes preciosos minutos em que a audiência está “lá em cima”. Ah, já sei, mas o mercado do futebol movimenta bilhões bradam os que concordam. Mas os mercados dessas empresas bilionárias também não geram bilhões?! Qual a diferença na essência? Ah, já sei, é a inigualável paixão, o que cada torcedor é capaz de fazer. Ah, entendi, já que não há razão suficiente para explicar, vamos fugir para a emoção e para um campo que o intangível fica mais “justificável”. Assim é mais fácil manter as coisas no ritmo que estão. Quero deixar aqui bem claro que sou 100% a favor de profissionais corretamente remunerados, só estou chamando atenção para a distorção bem para mais dos valores hoje aplicados aos mesmos. E não preciso nem falar muito que existirão sempre profissionais bem e mal preparados, assim como existirão sempre pessoas bem, na média ou mal preparadas em todas as funções inerentes a uma sociedade. O que chamo atenção é que no futebol não importa se o profissional é bem, na média ou mal preparado, ele recebe valores astronômicos (salários abaixo de R$ 50 mil/mês hoje no futebol em um clube de primeira linha está se tornando uma raridade, eu disse R$ 50 mil/mês para atletas e dirigentes profissionais). Entre R$ 100 mil/mês e R$ 250 mil/mês, hoje o mercado rotula como “na média”, isso novamente ressalto para atletas e executivos. Eu chamo isso claramente de distorção do sistema.

Aí a corda estoura em quem? Nos clubes é claro!!!! Aí o torcedor é chamado para novamente exercer seu papel de financiador. É chamado a associar-se, a demonstrar seu amor pelo clube indo aos estádios em todos os jogos. É chamado a comprar mais e mais produtos. Isso está errado? Claro que não está. As referências dos clubes europeus tem modelos em que essa relação com os torcedores é um pilar fundamental. Mas o que defendo é que esse pilar tem que ser reconstruído junto com todos os demais. O torcedor também exerce outros papéis. Tornam-se sócios, e alguns sócios, formam chapas que concorrem a eleições periódicas para formação de conselhos deliberativos dentro dos clubes. Alguns deles ocupam funções administrativas departamentais e ou são eleitos para cargos na alta administração. Ao longo de suas vidas associativas, podem se tornar beneméritos ou grandes beneméritos tendo seus serviços voluntários reconhecidos pelo clube. Esse é um processo salutar, claro que também sujeito a distorções, mas em sua essência um processo importante nas trajetórias entidades associativas do país. É fácil que a corda rompa com acusações que a diretoria administrativa é a culpada de tudo que acontece de errado. Se fosse assim quem tem uma estrutura mais remunerada automaticamente ganharia sempre, o que não acontece na prática. Mas não podemos cair na armadilha de pensarmos pontualmente. A proposta nesse momento é de pensarmos com em uma linha do tempo, pensando em competitividade o tempo todo. Aqui cabe esclarecer outro ponto, os clubes tem profissionais remunerados desde sempre, ele não se sustenta somente com voluntários. Dos anos 90 para cá, esses profissionais ganharam mais espaço nos clubes com a própria expansão do mercado do futebol. Esse foi um processo irreversível e salutar também em sua essência em minha opinião. Então qual é outro ponto chave? O sucesso de um ou mais clubes é encontrado de maneira sustentável dentro de suas épocas, adaptando-se às regras existentes e o mais importante, INOVANDO de alguma maneira no estilo de jogar com uma sinergia completa com a administração. Exemplos: O Vasco da Gama dos finais das décadas de 40 e 90, Santos e Botafogo da década de 60, o Grêmio, Flamengo e Fluminense do início década de 80, o São Paulo do início da década de 90, o Cruzeiro também da década de 90, o Palmeiras de meados também década de 90, o Internacional mais recentemente, e o Corinthians dos dias de hoje. Em minha opinião, a diferença com o passar dos anos é que o antigamente a diferença fazia-se com mais ênfase dentro do campo, hoje existe uma participação maior do extra-campo no sucesso sustentável dos clubes. O que mais preocupa nessa constatação é que os clubes novamente agem de maneira individual, olham para si próprios sem uma ação ou um movimento conjunto que os protejam. Em sua grande maioria estão cada vez mais isolados e dependentes. Isso não pode ser tratado como irreversível. Pode ser um erro cada vez mais irreparável com o passar do tempo.

As conclusões podem ser muitas, mas escrevo três que considero fundamentais:

a)Quem optar por copiar, que o faça com quem tem as melhores práticas de longo prazo, se copiar de quem não as tem, terá só a camisa e tradição para fazer milagres. E torça para que quem seja a referência de mercado não tenha a inovação em seu DNA, pois quando você chegar no nível daquele que copiou, seu concorrente já estará em outro patamar;
b)Somente uma ação integrada que respeite todas as “peças do tabuleiro” e as que estão do lado de fora deverão obter sucesso sustentável. Desrespeitar uma deles, principalmente as mais importantes, certamente aumentará as chances de fracasso;
c)Inovação em cima de estratégias vencedoras tornará ciclos de sucesso perenes, mas se você ainda não encontrou uma estratégia vencedora de longo prazo, terá um processo de inovação ainda mais desafiador, mas o caminho para o sucesso passará por isso sem dúvida;

Em resumo, a maioria não percebe que estão agindo dentro de uma lógica invertida. O caminho que faz mais sentido é a reinvenção do jogo. Caso contrário, muitos continuarão jogando “xadrez às avessas!!!!”.

Fonte: Facebook do ex-VP de marketing Eduardo Machado